Eu Tenho Artrodese


Então resumindo tudo bem resumido eu sou  portadora de Artrodese ou seja eu tenho uma fusão da coluna vertebral.

 Devido a um grave acidente automobilístico que sofri no dia 18 de novembro de 2013, perdi momentaneamente os movimentos da cintura para baixo foram momentos de puro terror sem falar da dor que eu sentia.
Tive explosão da T12 e os estilhaços do osso atingiram a medula óssea. 


Tive muita sorte um milagre como diz a equipe do meu neurocirurgião de não ter cortado o nervo. 
Sentia formigamento nos pés e pernas apenas mas não mexia. Fiquei em desespero. Fui resgatada de forma correta pois se algo acontecesse errado eu ficaria paraplégica.
Depois de tomar muita medicação intravenosa e ficar na UTI decidiram a equipe médica do neurocirurgião Doutor Paulo (a quem devo minha vida) esperar por dois dias para ver se eu aguentava e desichasse as vértebras da coluna. Passei dois dias só sendo molhado os meus lábios com gaze. Não podia beber e comer nada por dois dias. Achei que ia morrer novamente. 

Eu estava ainda sobre a prancha do resgate pois não podiam me mover pois poderia causar sério dano a coluna. Então fiquei nessa prancha dura por dois dias e até hoje tenho marcas nas nádegas.

Passou os dias o neurocirurgião aceitou meu caso pois era grave e crítico e conversou com meu marido e foi franco eu poderia morrer na cirurgia pois ia precisar de muito sangue, ou ficar paraplégica. E ele não coragem de me dizer assinou os papéis e chorou rezou.
O médico suspeitando disso foi me ver na UTI e falou a real, comecei a chorar compulsivamente com medo de me tornar paraplégica e um filme passou na minha cabeça eu não estava preparada.
Até que uma das enfermeiras com pena perguntou se a psicóloga do hospital poderia me ajudar e eu pedi um padre para me dar a unção dos enfermos.
Foram atrás e no dia seguinte antes da cirurgia o Padre Eduardo muito humilde e conhecido do hospital veio na UTI me dar a unção e a hóstia santa. 

Nessa noite junto comigo na UTI tinha vários casos graves de acidentes de motos, carros e ele não podia ficar lá era uma correria imensa, choques parecia mesmo o fim de todos nós.
O padre Eduardo sentia muita pena de todos abençoou os enfermeiros e falei para ele não chorar  (ele estava chorando) pois se eu fosse não ia sozinha.
Eu sempre fui uma pessoa alegre e no pior dos casos eu acabo mascarando a dor. Depois conto o que eu falei para o resgaste quando tiveram que picotar minha blusa de seda e minha calça nova rssss
Então era isso iam fazer uma instrumentação uma engenharia na minha coluna. 


Fixar no osso duas hastes de titânio para dar sustentação.

Uma placa no lugar da T12 e parafusos enormes desde a L10 até a T12 perfurando o osso e fixando tudo.

No meu punho que fraturei em dois lugares 

E pulverizei um osso foi colocado também titânio e parafusos.

Sou robótica.


Portadora de Artrodese. 

A cirurgia foi um sucesso sobrevivi mas com imensas dores e com 50 cm de cicatriz nas costas.

Tive que aprender a andar pois não conseguia demorou muito tempo. Usava fraldas, até conseguir ir ao banheiro. Tudo isso eu fazia com uma pessoa me ajudando que foi minha mãe que morou um ano comigo me ajudando a andar, tomar banho.
Desmaiei várias vezes porque vivia deitada e quando podia sentada e ficar de pé sumia meus sentidos.
Com o tempo fui melhorando e com uma muleta dando uns passinhos.
Me sinto vitoriosa nem
Acredito que ando nem meu médico.
Fiquei com sequelas por exemplo minha coluna travou então para girar tenho que girar o corpo todo.
Tenho fraqueza nas pernas principalmente na direita onde foi mais afetada. 
Fiz vários meses de fisioterapia em casa na cama exercitando a musculatura. Depois para  tentar ficar em pé sozinha e ter equilíbrio.
Quando esfria sinto dores terríveis ou muda o tempo. Tenho muito cansaço.
Tomo medicamentos para dor quando necessário.
Não consigo abaixar e ficar muito tempo em pé.
Mas mesmo sendo portado tudo isso sou eternamente grata a Deus que me deu nova chance e ao Doutor Paulo excelente neurocirurgião que aceitou meu caso e minha mãe que me colocou de pé e meu marido que nunca me deixou sozinha.


Existem várias artrodeses como a cervical, a lombar, a de tornozelo.

O maior problema que enfrentamos é a dor crônica infelizmente. Exercícios na água, medicamentos para dor aliviam um pouco porém sempre temos que deitar e levantar de lado do jeito certo e nunca carregar peso.

Faz cerca de um ano e três meses desde que fiz a cirurgia de emergência, hoje tenho uma cicatriz imensa nas costas, e várias partes estão amortecidas, muito tecido cortado, vasos. Tenho dores se fico muito tempo sentada, deitada ou de pé. Tenho que alternar, mas fico mais sentada e deitada.
Deixei de usar muletas e hoje só uma bengala para subir ou no caso de cansar, eu me canso rápido se for até a esquina tenho que ir devagar e depois sentar.

Ainda não estou de alta médica, só em novembro desse ano que meu neurocirurgião vai me avaliar. 
Não estou dirigindo ainda e nem trabalhando. Espero voltar assim que estiver bem.

Tenho que usar carro especial por conta das limitações, mas tenho desconto do governo que está lá na lista meu caso, artrodese.

Sou grata pela artrodese mas tenho uma relação complicada pois sinto muita dor e fico deitada. Isso me frusta.

10 comentários:

  1. A Juju..legal vc finalmente começar a escrever sua história...emocionante....ver o raiox que vc tirou me assustou, porque não pensei que fosse tudo isso.....não esqueça de escrever sobre os outros passageiros do hospital com suas histórias incríveis....vai ser muito bom conhecer cada uma delas....muito bom...abraços pra vc

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    1. Eva Mooer nunca esquecerei as doze horas que ficou lá junto com o Alexandre esperando o fim da minha cirurgia, nunca vou poder te retribuir toda esssa energia e amor que me deu, sabia que vc estava lá com Alexandre e ele não estava sozinho. Deus te abençoe muito.

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  2. Olha esse teu texto me fez lembrar do primeiro post no face feito pelo Alexandre, o aperto no peito que me deu ao ler e a vontade de que tudo fosse mentira. Sou grata a Deus por ter dado ao Alexandre coragem de dividir conosco tudo o que ele estava enfrentando. Sou Grata a Deus por você estar viva e ter decidido dividir com todos no blog, a sua situação atual. Sei que irá ajudar muita gente.

    Guerreira, te admirava antes e continuo tua fã. Desejo que tua dor diminua assim como sei que a tua cicatriz com o passar dos anos ficará mais suave, espero que a dor diminua até sumir.

    Muita Luz e Paz
    Abraços

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    1. Adelaíde vc me emocionou e grata a vcs pelo apoio que deram ao Alexandre quando ele mais precisava sozinho sem ninguém. Obrigada por suas boas energias e a amizade. Bjos

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  3. Foi emocionante, desde o primeiro momento, quando o Alexandre escreveu sobre o acidente. Rezei muito por vocês,pedindo a Deus que a amparasse e desse forças a ele. Até hoje peço sempre. Você vai ficar bem, caminhando, trabalhando... você é forte, uma guerreira. Deus os abençoe.

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    1. Obrigada Neli Alves eu lembro de vc dando força para o Alê e ele lia para mim obrigada por tudo me emocionei bjo

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  4. Ju, sempre achei você uma guerreira. Sou uma das testemunhas de sua luta. Quanto ao Alexandre sou grata por ele ter permitido que nós pudéssemos compartilhar com ele a dor, a angústia de um prognóstico otimista e suas vitórias. Continue assim, estamos sempre na torcida. Bjs

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    1. Obrigada Por tudo Jussara e Jurema desejo tudo de bom que desejaram pra mim a vcs bjos

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  5. Ai Ju, eu te admiro tanto. Não por isso somente, mas pq vc me inspira, sabia? Eu espero ter sempre vc na minha rede de contatos, e espero um dia desvirtualizar. Rá!

    Eu lembro do seu início, quando tudo aconteceu... essa é uma daquelas novas etpadas da vida que a gente ganha, de começar de novo... e você está indo muito bem.

    Um bj,
    Re

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    1. Owwwwwww que fiofa te adoro de muitão desde a época do Quin espero te desvirtualizar tb e temos coisas em comum bjo obrigada Re

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