Na Estante - Doidas e Santas - Martha Medeiros



Estou adorando ler  as crônicas reunidas nesse livro da Martha Medeiros, leio , repenso, assimilo e converto em alguma opinião nova, algumas em acordo, outras discordantes, novos conceitos, acho ótimo se  reiventar, ter novos assuntos proporcionados por uma boa leitura.

No livro que contêm 100 crônicas Martha Medeiros  fala sobre os dramas da vida moderna, passeando pelas alegrias, tristezas, afetos, neuroses de forma adulta e de humor peculiar ao que consagrou Martha Medeiros em cronista e romancista de expressão nacional. Sou fã de Martha há  muitos anos.

Nesse livro Martha tem um olhar peculiar, sensível ao desnudar vários assuntos e dilemas, recomendo a leitura. Boa companhia para esperas longas em consultórios, viagens ou de distração. Como eu estou fazendo no momento, de lazer mesmo entre um outro livro mais "pesado'.

Dias desses eu estava com esse livro na sala de espera de uma consulta médica acompanhada de Ale, fui para a consulta e deixei o livro com ele. Quando voltei me surpreendi de o ver lendo ( ele gosta de números, projeções, internet, esporte, não gosta dos gêneros que leio rs) e rindo. Depois no caminho de volta no carro ele foi relatando algumas coisas que leu e achou interessante  sobre a  Crônica Sobre a Janela. 
"Gosto dos livros de ficção do psiquiatra Irvin Yalom (Quando Nietzsche Chorou, A Cura de Schopenhauer) e por isso acabei comprando também seu Os Desafios da Terapia, em que ele discute alguns relacionamentos padrões entre terapeuta e paciente, dando exemplos reais. Eu devo ter sido psicanalista em outra encarnação, tanto o assunto me fascina.Ainda no início do livro, ele conta a história de uma paciente que tinha um relacionamento difícil com o pai.

Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem. Durante o trajeto, o pai, que estava na direção, comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego a seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney. E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais palavras.
Muitos anos depois, esta mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, desta vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que a esta altura já havia falecido.
Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro. O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente.A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso.
Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto que a outra perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias. Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade. 
Cada um gruda o nariz na sua janela, na sua própria paisagem.Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho. Me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contrapartida, me tira a certeza de tudo. Dependendo de onde se esteja posicionado, a razão pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar. Só possuindo uma visão de 360 graus para nos declararmos sábios.
E a sabedoria recomenda que falemos menos, que batamos menos o martelo e que sejamos menos enfáticos, pois todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise. É o triunfo da dúvida."
Martha Medeiros

8 comentários:

  1. Oi Ju, adorei !
    É a mais pura verdade, estamos sempre cegos e nunca observamos o que o proximo vê.

    Bjo Bjo

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  2. Eu li! Tem umas crônicas bem interessantes!

    Beijocas

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  3. Ju querida,

    Mesmo as nossas janelas de vez em quando ficam empoeiradas e acabamos vendo gato por lebre!

    Girassóis pra vc! Olhos vendo dos dois lados, à frente, e, de vez em quando, uma olhadinha para trás, para não perder nenhum girassol!
    Beijos

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  4. Ju,
    Adorei essa crônica que vc transcreveu aqui. Realmente só enxergamos o nosso lado e não vimos o que o outro vê. Bem interessante isso!

    Vc sabia que euzinha nunca li nada da Martha Medeiros!!! Mas vcs comentam tanto que tenho que comprar um livro dela. Acho que vou começar por esse seu, amei o título!

    Beijos
    Adriana

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  5. Oi Ju! Eu adoooooooro Martha Medeiros! Sabe, fiz uma Oficina de Contos que algumas pessoas falaram bem mal dela.... Eu adoro! Enfim... Gosto é gosto e não se discute, mas eu acho a Martha maravilhosa! Quando crescer quero ser igual a ela! ;)
    Beijo, beijoooo!
    She

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  6. Olha muito bom seu texto, e irei refletir, porque acho que a reflexão nos leva a ser tolerantes com as nossas próprias ignorâncias,grande abraço.
    josiana leite - Decorafino

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  7. Ju, este texto me lembrou esse:
    "Sabes que os sábios. Aqueles que nunca seremos. Desprezam por norma. Os cães sem coleira." M, é de uma amiga de Portugal. Por isso não quero ser sábia e luto para ser um cão sem coleira, só assim andarei por todo lado é poderei ver os dois corregos ao longo da estrada.
    bjs
    Jussara

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  8. Ju, dei um jeitinho no meu painel e estava sem exibir meu emal para respostas... a Fernanda reali me deu uma dica e eu fiz. Queria que vc testasse pra mim. respondendo este...
    te dou retorno depois se deu certo mesmo, estou cuidando do papai que estava doente e nunca mais entrei, mas eu ja ja retorno. bjinhos!!!!

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