A Bolha da Segurança




Hoje eu iria postar fotos do meu primeiro trabalho crafter, um oratório que pintei e customizei, porém esse texto nasceu em minha cabeça ontem depois de bater um papo com uma querida amiga  e resolvi postar algumas divagações. Muitas vezes eu leio algo, escuto, sinto e nasce um texto, simples assim.

É dificil nos dias atuais lidar com as emoções sejam elas quais forem. Sentimentos de dor, alegria, felicidade e tristeza tão antagônicos porém tão presentes. 
Muitas vezes se usa uma máscara para camuflar a dor, a tristeza, a frustração de algo, dai se veste a fantasia da felicidade aparente na tentativa de se fugir daquilo que incomoda, que dói, que machuca ou envergonha. Muitas vezes é uma válvula de escape para se tentar proteger e impedir que sentimentos vistos como negativos tomem conta do palco da vida.

Mas será que a falsa segurança de se viver em uma bolha é sadia? Não sei. Para algumas pessoas pode ser uma âncora onde se atraca em um mundo seguro, construído de imagens que visam anular qualquer sentimento doloroso ou conflituoso ou que possa minar essa aparente felicidade. Sabemos que pensamentos e atitudes positivas sim surte efeito é fato.

Porém para outras requer retirar a âncora e levar o barquinho de papel das emoções conflituosas em correntezas, enfrentar corredeiras, submergir e emergir em sentimentos, resgatar e depois naufragar o que não faz bem. 

Cada pessoa tem um modo particular de lidar com a realidade. Mas posso dizer que o que me oferece segurança é saber onde estou, e lidar de alguma forma com o que o presente me entrega para que eu possa tirar minha âncora da minha zona de conforto e ir adiante em águas calmas. Não existe águas calmas sem se passar por corredeiras antes. Assim como depois de uma tempestade vem o sol. A vida é assim mesmo não adianta.

Sair da bolha de segurança pode ser uma atitude corajosa de se respirar o ar da realidade, porém nem todas as pessoas que vivem em uma estão preparadas.

Eu li uma frase outro dia que diz assim:" Pelo menos meu passado só me condena. E o seu que te prende?" de Tati Bernardi e fiquei pensando em quantas bolhas se vive por ai com medo de algo que se prende e que impede.

Pensando ainda sobre o tema, nunca  me  foi permitido fazer uso da bolha da segurança, confesso que ela atrai sim, seria uma sombra refrescante por um breve intervalo, como tomar um fôlego para submergir novamente no mar da vida, mas não é pra mim, não me pertence, sou da realidade.

Sinceramente hoje estou apenas divagando... não sei essas repostas e creio que nunca as saberei... a única coisa que sinto é que estourar a bolha ás vezes é necessário para se viver e curtir o sol lá fora.


*Texto escrito originalmente por Juliana Ramalho, plágio é crime, respeite os direitos autorais, é uma questão de educação e respeito.

16 comentários:

  1. Perfeito o texto, na realida perfeito dentro do meu ponto de vista, como vc mesmo disse cá um cá um, sou mutante, e por isso nao saberia viver em uma bolha, fosse ela do jeio que fosse, gosto de sentir tudo, meus dias bons, ou maus, pois dessa forma terei sempre a certeza de onde sou e quem sou, lógico existe sim a necessidade de me preservar, e isso o tempo me fez aprender, mas mascarar? Não, disfarçar talvez, mas gosto de sentir o gosto das frutas, não apenas tomar sol em baixo da arvore.

    Adorei o texto mesmo

    beijokas

    Fer

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  2. Ju,

    Ótimo texto, mas tudo é uma questão de ser quem é, fui criada numa norma até massoquista, acredito que o que não mata, fortalece, que só sou quem eu sou porque passei por várias coisas, não tenho opção de viver na bolha porque isso nunca foi me posto como uma alternativa, e sim encarar tudo de frente, cair, me acabar e reconstruir. Se é fácil? Nunca! Se preferia estar vivendo uma realidade alternativa? Quem sabe?! Quem sabe se forjasse a realidade hoje não sentisse o peso da experiência na parte física e emocional?
    Grandes beijos e vai lá e coloca só uma opção, nada de listinha, kkkk

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  3. Bom texto!

    Nossa, uma bolha de segurança. Como queria ter uma para descansar... rs. O que mais e aproxima disso é meu apartamento. Quando quero me proteger fico aqui quietinha. Mas sobre enfrentamentos, não tem jeito, vivo numa corredeira mesmo. Se eu não colocar meu barco e descer a tormenta, simplesmente morro de fome e sede... rs

    Beijocas

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  4. Jú amada,

    passando para conhecer seu mundinho e lhe parabenizar por ser a sortuda do blog da Glau. Já pegamos o endereço para segui-la e ler seus ótimos post. Parabéns. Aguardamos o seu contato com endereço para enviarmos o brinde.

    Qto a bolha, as máscaras... depende do ponto de vista mental. Qto mais canalizo o sofrimento, mais debilito meu organismo, minhas ondas mentais. Ás vezes as bolhas nos protegem, mas muitas vezes nos isolam de enfrentar de frente aquilo que nos incomoda.

    Quem sabe olhando com outros olhos nossos problemas, nossas dificuldades possamos estourar as bolhas e realmente nos permitir ser feliz... independente do olhar do outro!!!

    Bjs no seu coração

    Caca e Bia
    Atelie Flor de Amora

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  5. Juliana. Seu texto tá perfeito. o certo é a gente sair da bolha, encarar o mundo sem carapaça. mas que é bom e aconchegante uma boa duma bolha é rs. eu te entendo perfeitamente rs
    bjs e bom dia

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  6. Oi Ju amada, as vezes da vontade mesmo de ter essa bolha, nem que seja pra gente se esconder um pouquinho,confesso que uma epoca de minha vida eu a desejei mas não tive e hoje eu agradeço , foi dolorido mas passou e me sinto mais forte mais capaz de lidar com as situações, mas nada acontece por acaso meu amor.
    beijos
    fique com Deus, até mais

    ps. vc recebeu resposta de um comen tario q fez, eu falava sobre a Fabi,

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  7. Muito bom Ju.
    Eu estou saindo da bolha,aos poucos,mas estou conseguindo.
    Beijos.

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  8. Certíssimo seu comentário.
    Acho que tem momentos ou situações que precisamos da bolha, para podermos meditar e tomar certas atitudes. Chega um momento que se faz necessário sair da bolha e enfrentar a vida real, que é cheia de tropeços e percalços.
    Bj

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  9. Ju,

    Ansiei a vida inteira por uma bolha! Continuo imaginando como seria bom estar em uma. Mas há vidas que não têm alternativa senão mostrar a cara e muito bem mostrada. Parabéns pelo texto.

    Girassóis nos seus dias, eles sempre ajudam quem está fora das bolhas!

    Beijos

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  10. Ju!
    Saudades de vc linda!!!
    Ótimo texto ( assim como todos os outros).
    Também não sei o que é viver numa bolha. Prefiro viver a realidade com meus acertos e erros e aprendendo com isso.
    Um beijo

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  11. Oi Ju,

    Na verdade eu sonho as vezes em encontrar uma bolha onde possa ficar livre de tudo....rsrs
    Mas estas bolhas de conforto nos prendem, nos tornam isolados do mundo e das sensações.
    A gente só vive se se arrisca, se mostra, se desnuda, quando se da a cara pra bater, ai sim, somos testados e damos vasão a nossa essencia, ao que verdadeiramente somos.
    Otimo texto, gostoso de ler e fazer pensar.

    bjo

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  12. Querida Ju,viver em uma bolha não nos leva a nada, prefiro enfrentar a vida com seus desafios, tempestades e temores do que viver resguardada,escondida e viver só meia vida.
    Adorei tuas divagações, até quando divagas és mestre nas palavras.
    Beijos querida

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  13. Que texto maravilhoso e com ele eu paro prá pensar...
    Com certeza a maioria das pessoas vive numa bolha.
    Valeu, por dividir seus pensamentos conosco.
    Bjs♥

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  14. Ju,
    reconheço as pessoas em suas bolhas, mas sempre penso: como uma bolha é pequena! Prefiro meu mundo bem maior com suas dores, alegrias e calmarias.
    bjs
    Jussara

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  15. Um texto Maravilhoso...não sei viver em uma bolha também..proteção demais não faz bem, temos que sentir tudo que pudermos, errar e aprender sempre! Isso que nos faz seres humanos evoluídos!!

    Beijos

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  16. Eu tenho uma certa bolha. Até porque a realidade me machuca, acho a vida muito cruel e sofro de muita indignação. O meu blog, por exemplo, é uma bolha. Colorida, cheia de alegrias. É só um fragmento de mim. O fragmento bom. Isso porque não quero mais viver enfatizando tanto a realidade. Eu não sei lidar, por exemplo, com uma vida onde se tem a certeza de que vai morrer. Cada vez que reformo um cômodo ou pinto minhas unhas de uma cor que pretendo usar pelo resto da vida, lembro-me de que a vida é efêmera e passageira. Que logo isso não terá valor nenhum. Essa futilidade toda é, sim, uma máscara que esconde uma certa depressão. Mas... e daí? Eu sou mais feliz agora, tentando calar a voz que me fala sobre a realidade nua e crua, do que era quando escrevia um blog depressivo com mais dois amigos, chamado I HATE IT HERE. Eu fiz essa escolha. Mesmo que de noite a realidade me agrida, posso dizer: - XÔ PENSAMENTO! E me concentrar na próxima fase da reforma de uma casa que um dia ficará aqui quando eu partir. A futilidade é a minha muleta. Eu preciso dela. Sençao caio novamente e me quebro toda. Cansei de tomar Prozac. Mas às vezes preciso de um ansiolítico para dormir. Porque eu ODEIO a realidade nua e crua. Odeio a doença, o estupro, o mal ao próximo e a morte. Eu não assinto mais noticiários, prefiro ver blogs com fotos de coisas bonitas. Sei lá, eu prefiro assim.

    Bejos.

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